domingo, 8 de agosto de 2010

foi qnd tive vontade de me lancar naquelas aguas de botos e tucunares e atracar numa raiz, fixar meu corpo em terra, na madretierra amazonia, e esquecer a dor, a prata, as tormentas. morrer como se morre de amor, qnd se alinha a lua e o sol. ali, nublado o ceu, meus olhos fitaram o verde das matas e renovaram-se de esperanca, imaginando ser indio.
haja paciencia! conexao a partir de um smartphone, limite de 512 caracteres... dessa forma n tenho gana de escrever... desculpem-me por n atualizar nos ultimos dias... estou tb meio quebrado... tenho medo de q seja malaria... n vai ser! neguinha ta cuidando de mim... eu cuidei dela qnd precisou... estamos atrasados... temos q chegar sexta em cartagena p pegar um aviao pro panama. anteontem roubaram a toalha dela, foi qnd partiamos de santarem, demora danada pro navio sair. acordei e la estava minha flor
5 dias num navio, dor no corpo, dor de estomago, dor de cabeca. 5 dias conhecendo gente, escutando, observando, descansando, me curando. estamos ancorados em itacoatiara, a ultima parada antes de manaus. ontem filmei duas criancas lindinhas, brincando na area das redes, conheci tb um jovem q me falou o nome da banda de zouk love: melody. mas foi aquele casal hippie se acariciando na cobertura do navio a cena q mais me intrigou...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

daqui desta cabine de navio escuto as aguas, os deuses do rio, da noite q consagra nossa partida, nossa rota clandestina. abro a porta, vejo belem a se afastar, as luzes se perdem, a minha camera registra apenas a esperanca, a vontade de amar e mudar as coisas - como bem disse o velho belc em sua linda alucinacao. hoje reinou o verde, no passeio ao bosque, nas yerbas e alfaces e nos relatos de teresa, colombiana amiga, uma senhora vivida q perdeu o filho p o cancer e teme perder a vida p falar mal de uribe.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Feira-São Luiz-Belém

a primeira esquina que cortei em São Luiz me afligiu os olhos. três caras, sentados sob o batente de uma janela, queimando pedras de crack numa lata. pensei comigo: "essa merda tá em todo lugar!"

cortei mais algumas esquinas, avistei prédios abandonados, cortiços, buracos onde o vento e a areia entram para preencher o labirinto da cidade velha, adormecida. mais algumas quadras, lá está! o tal Projeto Reviver. gente jovem, cabeluda, roupas coloridas, paredes grafitadas, música ao vivo, cervejinha na calçada... tudo me inspira, tudo me faz criar. enxergo Dira, minha personagem cantora de boleros, sedutora e atroz, suada, justa num vestidinho rosado, anarquizando a noite, rasgando corações.

sigo a caminhar, topo com um bonaerense hippie viejo, que me fala de Alcântara, cidade-fantasma fabricada para o rei francês. quiçá dê tempo de visitar, preciso voltar para o hotel maldito, espelunca quente do satanás, banheiro feito de box, que coisa horrível!

sinto-me como um escritor de 40, faço a barba, deixo o bigode... lembro de Jorge, de Gabo, dos mestres bigodudos e fantásticos... meu realismo é sequestrado, poetizo com a câmera... travellings, close-ups, planos gerais de encontros e despedidas, rodoviárias e paisagens... miro o sentimento do mundo, os corações desalentados e criminosos, verdes e rubros, brancos como esta folha de papel virtual, que não irei deixar por aí como fiz com o meu diário de viagem. Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Pará... todos os relatos se foram, da estrada e da cidade, meus e dela, da mulher que viaja comigo, que antes de ontem, lembro-me bem, escreveu assim no diário: "sigo com ele"

e assim vou seguindo, com ela e a minha imaginação, fabulada nos gestos e nas idéias, nas praças e nas pessoas, mercados, bares, jardins, albergues, notas e notas para prestar conta, prêmio em festival de cinema, sorriso no rosto, velhos amigos, novos também.

me voy, me voy... em breve tem foto e tem vídeo, se a conexão deixar

quarta-feira, 21 de julho de 2010

obra atrasada - espirra-espirra - câmera que não chega e não chegará antes da partida - raiva do mundo - inverno - Balzac - mais raiva - Bolaño - feijão e ovo mexido - lavar os pratos - Mercedes Sosa e Milton - lembranças de ontem - vontade de partir logo - gosto de cereja - cheiro da estrada - gasolina - Piauí - solzão - eu e meu amor - beira de estrada - Feira de Santana, estou aqui - lástima - raiva descompassada - espera.