terça-feira, 17 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
dias de dor e ternura
Aqui estamos, em Boa Vista, Roraima. Calor danado, surto de dengue, ameaça de malária. Essa semana anunciaram que o sorotipo 4 chegou por aqui, veio da Venezuela. Amanhã vamos pra lá. Meu corpo ainda dói, mas só de saber que não estou infectado com malária já me sinto bem.
Chegamos em Manaus na segunda pela manhã. O último dia da viagem Belém-Manaus foi especial e divertido. Estávamos no andar superior do navio, filmando e fotografando. O sol preparava-se para adormecer nas águas do Rio Amazonas quando um grupo de jovens aproximou-se. Falavam espanhol, perguntei a nacionalidade, eles me respoderam: "Somos de Colombia." Apresentamo-nos e contamos a eles da nossa viagem. Falamos por muito tempo. Eles nos contaram que vinham de Belém, que estavam num congresso internacional de arte dramática, que estudavam teatro em Bogotá e que faziam parte de um movimento por lá. Logo me entusiasmei, e pedi para que me falassem um pouco de Uribe e das Farc, da política na Colômbia. Eles me propuseram tocar uma canção deles, que era uma espécie de protesto, de recusa a este governo fascista. Falamos bastante de política, eles me pediram para não filmar os depoimentos. Em Colômbia se vive uma guerra, foi o que me disse Luiz. E para repreender esta guerra, fazem arte, inventam, perturbam, bagunçam o centro de Bogotá com faixas e malabares e teatro e dança. Esta é a forma de atuar do movimento. Eles nos contaram ainda que há uma polícia encapuzada que está sempre a confrontar os jovens nas manifestações, e muitos dos opositores do governo de Uribe já foram mortos.
Ao passo que a noite caía, muitas revelações, tragos, idéias, sorrisos. Descobrimos que já havíamos estado com eles. Tinham tocado no bar Palafita no sábado, e lá estivemos para encontrar com Gugão, meu velho amigo, com quem morei em Porto Alegre.
Ao acordar na segunda me sentia mal, e devido a irritação com trâmites de notas e burocracia do edital, inflamei-me mais ainda. Percorremos Manaus de táxi, fui até a rodoviária e procurei informação acerca do bilhete para Caracas. Não havia. Só tinha para Puerto La Cruz. Muita confusão. Voltamos para o centro, nos abrigamos num hotelzinho. Almoço, câmbio de moedas, burocracia na alfândega, dores e dores. Decidimos partir para Boa Vista durante a noite. Conseguimos o bilhete graças a um senhor muito educado do hotel. Por sinal, aqui no Norte todos foram bastante atenciosos. Em Boa Vista principalmente, gente bastante simples. Chegamos terça e durante os dois últimos dias nossa rota foi hotel-hospital. Fiz exames e me consultei, depois de muita muita muita espera e paciência. E carinho, claro, porque indiazinha está aqui, pertinho de mim.
Amanhã partiremos. Chavez nos espera!
Chegamos em Manaus na segunda pela manhã. O último dia da viagem Belém-Manaus foi especial e divertido. Estávamos no andar superior do navio, filmando e fotografando. O sol preparava-se para adormecer nas águas do Rio Amazonas quando um grupo de jovens aproximou-se. Falavam espanhol, perguntei a nacionalidade, eles me respoderam: "Somos de Colombia." Apresentamo-nos e contamos a eles da nossa viagem. Falamos por muito tempo. Eles nos contaram que vinham de Belém, que estavam num congresso internacional de arte dramática, que estudavam teatro em Bogotá e que faziam parte de um movimento por lá. Logo me entusiasmei, e pedi para que me falassem um pouco de Uribe e das Farc, da política na Colômbia. Eles me propuseram tocar uma canção deles, que era uma espécie de protesto, de recusa a este governo fascista. Falamos bastante de política, eles me pediram para não filmar os depoimentos. Em Colômbia se vive uma guerra, foi o que me disse Luiz. E para repreender esta guerra, fazem arte, inventam, perturbam, bagunçam o centro de Bogotá com faixas e malabares e teatro e dança. Esta é a forma de atuar do movimento. Eles nos contaram ainda que há uma polícia encapuzada que está sempre a confrontar os jovens nas manifestações, e muitos dos opositores do governo de Uribe já foram mortos.
Ao passo que a noite caía, muitas revelações, tragos, idéias, sorrisos. Descobrimos que já havíamos estado com eles. Tinham tocado no bar Palafita no sábado, e lá estivemos para encontrar com Gugão, meu velho amigo, com quem morei em Porto Alegre.
Ao acordar na segunda me sentia mal, e devido a irritação com trâmites de notas e burocracia do edital, inflamei-me mais ainda. Percorremos Manaus de táxi, fui até a rodoviária e procurei informação acerca do bilhete para Caracas. Não havia. Só tinha para Puerto La Cruz. Muita confusão. Voltamos para o centro, nos abrigamos num hotelzinho. Almoço, câmbio de moedas, burocracia na alfândega, dores e dores. Decidimos partir para Boa Vista durante a noite. Conseguimos o bilhete graças a um senhor muito educado do hotel. Por sinal, aqui no Norte todos foram bastante atenciosos. Em Boa Vista principalmente, gente bastante simples. Chegamos terça e durante os dois últimos dias nossa rota foi hotel-hospital. Fiz exames e me consultei, depois de muita muita muita espera e paciência. E carinho, claro, porque indiazinha está aqui, pertinho de mim.
Amanhã partiremos. Chavez nos espera!
domingo, 8 de agosto de 2010
foi qnd tive vontade de me lancar naquelas aguas de botos e tucunares e atracar numa raiz, fixar meu corpo em terra, na madretierra amazonia, e esquecer a dor, a prata, as tormentas. morrer como se morre de amor, qnd se alinha a lua e o sol. ali, nublado o ceu, meus olhos fitaram o verde das matas e renovaram-se de esperanca, imaginando ser indio.
haja paciencia! conexao a partir de um smartphone, limite de 512 caracteres... dessa forma n tenho gana de escrever... desculpem-me por n atualizar nos ultimos dias... estou tb meio quebrado... tenho medo de q seja malaria... n vai ser! neguinha ta cuidando de mim... eu cuidei dela qnd precisou... estamos atrasados... temos q chegar sexta em cartagena p pegar um aviao pro panama. anteontem roubaram a toalha dela, foi qnd partiamos de santarem, demora danada pro navio sair. acordei e la estava minha flor
5 dias num navio, dor no corpo, dor de estomago, dor de cabeca. 5 dias conhecendo gente, escutando, observando, descansando, me curando. estamos ancorados em itacoatiara, a ultima parada antes de manaus. ontem filmei duas criancas lindinhas, brincando na area das redes, conheci tb um jovem q me falou o nome da banda de zouk love: melody. mas foi aquele casal hippie se acariciando na cobertura do navio a cena q mais me intrigou...
terça-feira, 3 de agosto de 2010
daqui desta cabine de navio escuto as aguas, os deuses do rio, da noite q consagra nossa partida, nossa rota clandestina. abro a porta, vejo belem a se afastar, as luzes se perdem, a minha camera registra apenas a esperanca, a vontade de amar e mudar as coisas - como bem disse o velho belc em sua linda alucinacao. hoje reinou o verde, no passeio ao bosque, nas yerbas e alfaces e nos relatos de teresa, colombiana amiga, uma senhora vivida q perdeu o filho p o cancer e teme perder a vida p falar mal de uribe.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Feira-São Luiz-Belém
a primeira esquina que cortei em São Luiz me afligiu os olhos. três caras, sentados sob o batente de uma janela, queimando pedras de crack numa lata. pensei comigo: "essa merda tá em todo lugar!"
cortei mais algumas esquinas, avistei prédios abandonados, cortiços, buracos onde o vento e a areia entram para preencher o labirinto da cidade velha, adormecida. mais algumas quadras, lá está! o tal Projeto Reviver. gente jovem, cabeluda, roupas coloridas, paredes grafitadas, música ao vivo, cervejinha na calçada... tudo me inspira, tudo me faz criar. enxergo Dira, minha personagem cantora de boleros, sedutora e atroz, suada, justa num vestidinho rosado, anarquizando a noite, rasgando corações.
sigo a caminhar, topo com um bonaerense hippie viejo, que me fala de Alcântara, cidade-fantasma fabricada para o rei francês. quiçá dê tempo de visitar, preciso voltar para o hotel maldito, espelunca quente do satanás, banheiro feito de box, que coisa horrível!
sinto-me como um escritor de 40, faço a barba, deixo o bigode... lembro de Jorge, de Gabo, dos mestres bigodudos e fantásticos... meu realismo é sequestrado, poetizo com a câmera... travellings, close-ups, planos gerais de encontros e despedidas, rodoviárias e paisagens... miro o sentimento do mundo, os corações desalentados e criminosos, verdes e rubros, brancos como esta folha de papel virtual, que não irei deixar por aí como fiz com o meu diário de viagem. Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Pará... todos os relatos se foram, da estrada e da cidade, meus e dela, da mulher que viaja comigo, que antes de ontem, lembro-me bem, escreveu assim no diário: "sigo com ele"
e assim vou seguindo, com ela e a minha imaginação, fabulada nos gestos e nas idéias, nas praças e nas pessoas, mercados, bares, jardins, albergues, notas e notas para prestar conta, prêmio em festival de cinema, sorriso no rosto, velhos amigos, novos também.
me voy, me voy... em breve tem foto e tem vídeo, se a conexão deixar
cortei mais algumas esquinas, avistei prédios abandonados, cortiços, buracos onde o vento e a areia entram para preencher o labirinto da cidade velha, adormecida. mais algumas quadras, lá está! o tal Projeto Reviver. gente jovem, cabeluda, roupas coloridas, paredes grafitadas, música ao vivo, cervejinha na calçada... tudo me inspira, tudo me faz criar. enxergo Dira, minha personagem cantora de boleros, sedutora e atroz, suada, justa num vestidinho rosado, anarquizando a noite, rasgando corações.
sigo a caminhar, topo com um bonaerense hippie viejo, que me fala de Alcântara, cidade-fantasma fabricada para o rei francês. quiçá dê tempo de visitar, preciso voltar para o hotel maldito, espelunca quente do satanás, banheiro feito de box, que coisa horrível!
sinto-me como um escritor de 40, faço a barba, deixo o bigode... lembro de Jorge, de Gabo, dos mestres bigodudos e fantásticos... meu realismo é sequestrado, poetizo com a câmera... travellings, close-ups, planos gerais de encontros e despedidas, rodoviárias e paisagens... miro o sentimento do mundo, os corações desalentados e criminosos, verdes e rubros, brancos como esta folha de papel virtual, que não irei deixar por aí como fiz com o meu diário de viagem. Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Pará... todos os relatos se foram, da estrada e da cidade, meus e dela, da mulher que viaja comigo, que antes de ontem, lembro-me bem, escreveu assim no diário: "sigo com ele"
e assim vou seguindo, com ela e a minha imaginação, fabulada nos gestos e nas idéias, nas praças e nas pessoas, mercados, bares, jardins, albergues, notas e notas para prestar conta, prêmio em festival de cinema, sorriso no rosto, velhos amigos, novos também.
me voy, me voy... em breve tem foto e tem vídeo, se a conexão deixar
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